Sindicato entrará com pedido de interdição de CPP de Mongaguá após agressões em agentes
24/11/2021 16:43 em Geral

Pedido é motivado pela falta de segurança interna e externa dos agentes. Agentes da unidade ficaram feridos após entrarem em luta corporal com reeducandos.

 

O Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (Sifuspesp) vai entrar na Justiça com um pedido de interdição do Centro de Progressão Penitenciária (CPP) de Mongaguá, no litoral de São Paulo, para que a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) adeque a unidade às normas de segurança, incluindo, a contratação de agentes penitenciários. A informação foi confirmada ao g1, nesta terça-feira (23), pelo presidente do sindicato, Fábio Jaba.

Jaba explicou que o pedido é motivado pela falta de segurança interna e externa dos agentes e o défict de profissionais, pois muitos se aposentaram nos últimos dois anos e não houve reposição.

"A gente tem levado esses problemas para a SAP, há bastante tempo, e eles vêm se agravando, inclusive, [os agentes] apanhando. Um outro pedido antigo é a segurança externa no semiaberto. Os servidores querem trabalhar com segurança e, primeiramente, com a contratação imediata de mais agentes à unidade".

Segundo Jaba, em 11 de novembro, os sindicatos da categoria se reuniram com a SAP para reforçar os problemas no CPP de Mongaguá. Oito dias depois, agentes da unidade ficaram feridos após entrarem em luta corporal com reeducandos da unidade. Eles tentaram impedir que os presos pegassem objetos ilícitos, que foram arremessados para dentro do presídio.

"Essa foi a 8ª agressão contra servidores. Nós temos falta de segurança tanto para os servidores quanto à população carcerária".

 
Agressões contra funcionários do CPP de Mongaguá motivam pedido de intervenção
 
 
 
 
 
 
 
 
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Agressões contra funcionários do CPP de Mongaguá motivam pedido de intervenção

No sábado (20), um dia após os funcionários ficaram feridos na unidade, um homem foi preso quando tentava arremessar mochilas com drogas e celulares para os presos do CPP. Outros dois suspeitos que participavam da ação conseguiram fugir após notarem a chegada de guardas da Ronda Ostensiva Municipal (ROMU). A entrada de produtos ilícitos na unidade é algo recorrente, segundo Jaba.

Para ele, com a entrada de droga e celular dentro do presídio, o ambiente fica ainda mais inseguro para os agentes. "Para que servem esses celulares? Para aplicar golpe. Pedimos, também, que parem de chegar presos. A gente sabe que não tem como desativar. E, claro, a SAP tem que implementar segurança externa, pois temos profissionais capacitados para isso".

O presidente afirmou que o CPP de Mongaguá, que tem capacidade prisional de 1640 presos, está com a população acima de 2,4 mil, segundo dados atualizados até 22 de novembro. "O Conselho Nacional de Políticas Criminais e Penitenciária diz em sua resolução que deve ter um agente para cada cinco presos".

Em nota, a SAP informou ao g1 que o CPP de Mongaguá opera dentro dos padrões de segurança e disciplina e que a ocorrência do dia 19 de novembro foi pontual e nenhum dos ilícios arremessados ficou nas mãos dos presos da unidade. Os sentenciados que participaram dos atos de indisciplina estão em processo de transferência para o cumprimento de sanção disciplinar. Aliado a isso, foi solicitada a revogação do cumprimento de pena em regime semiaberto para regressão ao regime fechado e instituída, ainda, uma ronda periférica externa, para contribuir com a segurança da unidade.

 

 

Ainda de acordo com a pasta, em agosto deste ano, o Governo de São Paulo convocou Agentes de Segurança Penitenciária (ASPs) para preenchimento de 1.034 cargos remanescentes do concurso nº 121/2014. Os profissionais estão em treinamento e irão se somar ao contingente de funcionários da Secretaria e, consequentemente, ajudar a suprir a demanda por servidores nas unidades.

 

 
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